Boneca Cibernética

Esteve no ar desde o natal de 2007 até 10/08/2007. Continua no ar para guardar o nome e os arquivos.

Moiahaha

Meu nome é Letícia, tenho 16 anos e talvez eu salve o mundo.

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Boneca Cibernética -

NOVO BLOG

Letícia @ 13h49|

Sneaker's night -

Provavelmente começou com uma brincadeira de quem conseguia amarrar os cadarços dos tênis e jogar mais alto na árvore, sem subir na rampa de skate pra conseguir um alcance maior, mas quando sentei na praça e olhei pra cima a árvore com sapatos em todos os galhos, com mais tênis do que o meu guarda roupa da vida inteira, depois de ter dito "se ficar descalça já sei onde vou voltar", pensei:

E a vida que vivi, os caminhos que trouxeram aqui, amarrei uma ponta a outra e joguei para o alto, juntando o meu passado ao seu passado, segurando a sua mão e caminhando descalça de volta a praia. Não importava mais. Se eu pudesse andar, e tivesse com quem andar e uma mão pra me segurar, só tinha de amarrar toda vez uma ponta a outra, jogar para o alto e esperar atingir o galho mais alto. Provavelmente vão passar por debaixo, não vão olhar para cima e se olharem não terão ideia de 1/3 do que vivi, e eu não saberei 3/4 da vida deles, mas meus tênis estarão ali, provando que vivi e eles abaixo mostrando que passaram.

PS: e eu fiquei com uma raivinha da minha câmera por não ter conseguido focalizar os tênis direito. Mas em Muriqui, no estado do RJ, há mesmo uma praça e nela uma árvore com tênis em todos os galhos :D

Letícia @ 22h22|

Gire a maçaneta -

Acordei no meio da noite, sentindo saudade do que já fui um dia, mas não porque hoje eu olhe pra trás e veja alguém legal, mas por ter sido alguém, por ter tido todo um mundinho peculiar que eu achava único e especial, mas que quando descobri igual ao mundo de mais 3 bilhões de pessoas machucou muito mais porque me contaram isso, porque se não tivessem contado eu provavelmente ainda seria a mesma otaku de 11 anos que tinha mais amigos num site idiota de fanfics do que na vida real, sonhando com um príncipe encantado que nunca chegaria e de quem eu provavelmente não gostaria se realmente chegasse.

Mesmo olhando pra trás e achando meu eu do passado idiota, ingênua, boba, ridícula até não dar mais, eu sinto falta de ser segura de mim mesma, de me achar mais inteligente e culturamente bem instruída porque hoje olho pro eu do presente, gosto parcialmente do que sou, mas sinto falta de um mundo mais amplo que o que tenho.

Letícia @ 17h58|

abortando o (n)enem -

A primeira semana de férias já está acabando e o início da segunda ao invés de me fazer querer descansar ainda mais lembra das responsabilidades que deixei de lado e que eu não pedi pra ter e que, embora esteja sendo obrigada a fazer, não posso abandonar porque sou coerente. Mesmo assim, não consigo largar os passeios, dormir até tarde, o twitter, o blog, tudo isso. Há uma luzinha vermelha piscando irritantemente na minha frente (aka pai) me lembrando que tenho de estudar, que tenho de fazer os tais 900 exercícios que o colégio mandou, que se eu fizer só uns 50 por dia já vou estar bem preparada pro vestibular, que sou irresponsável e tal. Estou alerta que não dá pra permanecer assim pra sempre, que esse é um ano importante, mas estou muito, muito cansada. Não quero estudar, mas não quero ficar sem estudar e ter de frequentar o colégio por mais um ano. O 2º ano foi praticamente um terceiro ano e sinto como se tivesse repetido o ano, cruz credo pra fazer 3º ano uma terceira vez.

Como se já não bastasse o meu desânimo para a escola, ainda tenho o azar de o modelo de vestibular mudar logo no meu ano! Caramba, e eu vim ignorando a matemática esse tempo todo, deixando pra lá e só estudando quando eu queria, conseguindo 100 quando eu queria, mas agora 45 questões de matemática podem me dar vaga onde eu quiser. E ok, eu sei que vou competir com pessoas que não tem acesso a 25% do ensino que eu tive minha vida toda, mas 45 questões de matemática me assustam muito. E isso logo no dia do meu aniversário (3 de outubro).

Confesso que estou insegura. Se fizesse o modelo anterior de vestibular passava numa boa, podendo vagabundear o quanto quisesse, mas esse modelo novo não faz sentido nenhum. 90 questões em 4h30 de prova, absurdo! No colégio fizeram uma simulação e na metade da prova eu já estava morrendo de cansaço, não conseguia ler mais nada, muito menos calcular a área de um quadrado inscrito num círculo e outro circunscrito.

Só sei que quero o modelo decoreba novamente. Que o Ministério da Educação inteiro se foda. Até eu entendo mais de educação do que eles para perceber que essa novidade não vai melhorar a vida de nenhum estudante, só dos reitores das faculdades que vão ganhar verba extra do governo se aderirem ao novo Enem.

Letícia @ 16h46|

Caridade de C6H12O6 -

Ontem acordei querendo ficar na cama pelo resto da vida, enfiada debaixo de dois edredons com o cabelo todo pra cima, sem maquiagem nenhuma, sentindo saudade de tudo e não dando a mínima para o dia que já começava chovendo, o que quase sempre quer dizer "hoje serei uma merda, fique dentro de casa o dia inteiro e coma chocolate". Mas, era aniversário da tia Mailde então me empurrei para fora da cama, tomei banho, coloquei uma roupa bonitinha e camuflei tudo sob um casaco grandão e quentinho e entrei no carro com meu pai. Ele então parou no posto de gasolina e enquanto eu esperava o tanque de gás encher, sem ouvir música porque tem um aviso nos postos dizendo que rádio e celulares não devem ser usadados enquanto se abastece, vi uma moça no sinal vendendo minha bala favorita: chupetinha (a bala vermelha na esquerda). Peguei 4 reais na carteira e desci do carro, e sentindo um frio do caramba caminhei até a moça da bala esperando que o sinal não fechasse novamente e ela fosse vender no meio dos carros e eu tivesse que correr atrás dela, mas ela ficou paradinha e eu perguntei quanto custava. "3 por R$1,00". Comprei 6 e ela me deu uma extra junto com um sorriso bonito e uns dentes tortos.

Achei tão tão fofo o gesto dela, de me dar uma bala a mais. Podia comprar a bala sem me esforçar nem um pouco, mas para ela talvez tenha sido um esforço dar a mim uma bala que ela poderia vender num dos pacotes de 3 por 1 real.  A caridade dela, de querer alegrar meu dia com açúcar foi a coisa mais linda que presenciei num domingo chuvoso e provavelmente pelo resto dessa primeira semana de férias. Eu ainda estava não me sentindo bonita, com o cabelo todo estranho e precisando ser lavado, mas a chupetinha extra me fez sorrir pra caramba =)

Letícia @ 19h32|